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Técnicas de reparação
em chapas de aço e suas ferramentas.
Por Sérgio Ricardo Fabiano
Área de Pesquisa e Desenvolvimento – Revista Cesvi Brasil, Edição no 14

O tratamento da chapa pode envolver técnicas diferentes, dependendo do dano.
Desamassamento com pintura ou sem pintura, equipamentos diferentes... são recursos de que o funileiro dispõe para executar um serviço de primeira.
A reparação de chapa vem sofrendo mudanças significativas nos últimos anos em função do tipo de aço usado na fabricação, o tipo de construção e o designe empregado atualmente; fatores que estão cada vez mais voltados para uma maior segurança dos ocupantes.
No entanto, apesar de toda a evolução agregada a este tipo de trabalho e o surgimento de novas ferramentas, a reparação que é feita nas oficinas continua dependendo muito de um componente fundamental, que é a mão do funileiro. Este fator, que podemos até chamar de artesanal, é um dos pontos principais da conformação dos painéis de carroceria deformados.
O método de reparo depende tanto do tipo e da área de deformação que se tem para corrigir, como da experiência e destreza do profissional que vai realizar a reparação. Portanto, é extremamente importante que esses profissionais aliem sua habilidade com as técnicas atuais, conhecendo detalhes e equipamentos envolvidos.
Em primeiro lugar, vale a pena entender um pouco mais da constituição dos tipos de aço disponíveis, para que a reparação leve em conta as diferenças existentes.

Tipos de aço

O aço é uma liga de ferro com uma proporção de carbono que não ultrapassa 1,76%. Ele pode conter outros elementos de liga, dando origem a diferentes tipos de aço, com diversas propriedades e aplicações. De uma forma geral, a indústria automobilística emprega o aço convencional, para os painéis externos e internos da carroceria, e o aço de alto limite elástico (ALE), para as partes estruturais do veículo. (Vide tabela 1)
O aço ALE é consideravelmente mais duro e resistente que o convencional, no que diz respeito à sua moldabilidade e flexibilidade. Seu limite de resistência também é mais elevado, cerca de 300 N/mm2 contra 190 N/mm2 no convencional (St 12, St 13 e St 14).

Reparando para não substituir

Às vezes, o melhor meio de garantir a segurança, a resistência e os tratamentos anticorrosivos originais do veículo danificado é reparar a peça.
Para fazer a reparação de uma peça deformada, em primeiro lugar é necessário selecionar as ferramentas mais adequadas de acordo com o método de trabalho, o que implica levar em conta os aspectos como a acessibilidade da peça, a espessura da chapa, o grau de estiramento, o tipo de material e a extensão do dano.
Temos, basicamente, dois tipos de reparação:
- Desamassamento com pintura.
- Desamassamento sem pintura (²martelinho de ouro²)


Desamassamento com pintura

O reparo de chapa requer o emprego de uma série de ferramentas e equipamentos com distintas aplicações, segundo a operação que se quer realizar, chamadas ferramentas de conformação.

Tratamento mecânico da chapa

O tratamento mecânico da chapa, também conhecido por ²trabalho a frio², é um processo de conformação que consiste em submeter a zona danificada a esforços mecânicos apropriados, corrigindo a deformação existente.
Para uma correta reparação, é preciso observar as seguintes recomendações:
- É imprescindível escolher a ferramenta adequada para cada operação. Uma má escolha complicará toda a reparação.
- Mantenha limpa a superfície de impacto e o apoio das ferramentas.
- Trabalhe sempre partindo da área da chapa sem danos para a área danificada, nunca no sentido contrário. E da área de maior dano para a de menor dano.
- Antes de repassar com tasso e martelo, é necessário eliminar as tensões gerais da chapa.
- Os martelos de acabamento não devem impactar de forma tensa e forte, mas sim suavemente.
- A pressão exercida com o tasso durante a operação de repasso de chapa será proporcional à magnitude da deformação e à resistência da zona a reparar.
- O golpe direto do martelo sobre o tasso, através da chapa, produz o estiramento desta. Este efeito pode ser aproveitado quando for conveniente.
- É importante destacar que uma má aplicação dos esforços pode provocar mais deformação que a que se tenta corrigir, aumentando desnecessariamente o tempo de reparação.
- Se for necessário o uso de esticador ou encolhedor hidráulico, estes devem ser fixados em pontos corretos, dependendo da configuração do painel e da localização da área deformada. Os estiramentos devem ocorrer sempre a frio e com pequenos intervalos, principalmente para aço ALE.
- Durante as operações de reparo, a superfície da chapa reparada deve ser verificada com o auxílio de uma ²lima de funileiro², para identificar irregularidades. A pintura evita que o desbaste chegue até o metal, o que causaria uma redução da espessura do material ou danos ao revestimento de zinco (em chapas zincadas). O desbaste final da pintura deve ser feito com um ²disco flexível de desbaste².

Martelo de inércia

O martelo de inércia é utilizado nos casos em que a chapa só é acessível pelo lado de fora (acesso nulo), como nos casos da caixa de ar, das colunas, etc. As arruelas e pinos são soldados à superfície lixada da chapa, de modo a sustentar a ferramenta de tração (martelo de inércia). Os danos na superfície são reparados por golpes controlados e seguidos de alívio de tensão.

Tratamento térmico da chapa

Também conhecido por ²trabalho a quente², baseia-se na aplicação de calor para remover estiramentos e aliviar tensões residuais, que são causadas pelo material em excesso, resultante dos esforços mecânicos na chapa. Estes esforços, geralmente inevitáveis, causam instabilidade na chapa em conseqüência dos diferentes sentidos da tensão.
De uma forma geral, o trabalho básico da redução de material da chapa, resultante da aplicação de calor, é maior que a sua dilatação. No caso de aço ALE, esta relação é diferente, daí a proibição de calor neste tipo de aço.

Eletrodo de carbono

Na redução de áreas planas e ligeiramente curvas e com pequena espessura, o eletrodo de carbono é o método ideal para a reparação das chapas de aço atuais, pois o calor aplicado não altera as suas propriedades, dispensando o uso do maçarico. O único inconveniente deste processo é que a chapa fica marcada e endurecida no local do reparo, devido à adição de carbono na superfície. Isto pode ser eliminado com a limpeza da superfície por um disco flexível de desbaste (tipo CS).

Eletrodo de cobre

Utilizado no recalque de pequenas áreas, pontos altos e arestas agudas, que surgem do reparo com arruelas e pinos do martelo de inércia.
O uso desta técnica requer atenção aos seguintes aspectos:
- Eliminação prévia dos revestimentos protetores (tintas, emborrachamentos, etc), limitando a área mínima necessária para o reparo.
- O aquecimento só deve ocorrer em casos concretos, quanto ocorrer o estiramento da chapa.
- Este tipo de trabalho deve ser realizado com eletrodo de carbono ou cobre, não devendo recorrer ao emprego do maçarico oxiacetilênico, pelos inconvenientes que este provoca na chapa.
- O eletrodo de carbono é empregado preferivelmente em zonas planas ou ligeiramente curvadas, e com pequenas espessuras de chapa.
- É mais indicado para estiramentos pontuais (ressaltos), pois tem a possibilidade de aplicar pequenas quantidades de calor com maior rapidez.
- Após os tratamentos térmicos, é necessário realizar um ligeiro reparo superficial da chapa, eliminando tensões e algum defeito superficial residual. E a combinação conjunta de ambos é chamada de tratamento ²termo-mecânico² da chapa, abrangendo diferentes efeitos para corrigir os danos existentes.

Desamassamento sem pintura

Com o desenvolvimento de novos processos de pintura e de tintas mais resistentes ao impacto, surgiu um novo método de funilaria com ferramentas especiais que eliminam a necessidade da repintura em alguns tipos de danos.
Este tipo de reparo trabalha a chapa em movimentos circulares na área do dano, como se estivesse massageando o metal (pequeno aquecimento). Isto provoca um alívio de tensão na borda do dano, conseqüentemente voltando a chapa para o estado original antes do impacto. Devemos levar em conta que não são todos os danos que podem ser reparados por este método. Uma chapa que tenha sofrido estiramento, por exemplo, deve ser trabalhada com os sistemas anteriores (tratamento térmico).

Novas técnicas exigem treinamento

Com tantas técnicas novas à disposição do funileiro, é importante que este profissional mantenha-se atualizado, de forma a obter um conhecimento técnico que satisfaça as exigências do mercado em relação à eficiência e à produtividade das oficinas modernas. Treinamento periódico é fundamental para que o nível seja mantido.
O CESVI BRASIL oferece curso de reparação de chapas, com a mais avançada tecnologia de reparo. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3941-0699, ramal 243, com Sandra Freitas.

 
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