Ir para Informativo News
O Brasil virou Base de Exportações

A Mahle Metal Leve provou ser mais ágil que a matriz alemã para poder atender ao mercado mundial.


Mahle e Metal Leve têm uma história em comum, com uniões e separações ao longo dos últimos 50 anos. A alemã Mahle foi sócia-fundadora da brasileira Metal Leve, em 1950. Essa união durou mais de 25 anos. Em 1975, o contrato de tecnologia não foi renovado por ambas as partes e as empresas tornaram-se concorrentes. Isso durou até 1996, quando a Mahle comprou o controle da Metal Leve, que passava por uma delicada situação financeira, endividada e sem fôlego para investir. ´A grande dificuldade que a antiga Metal Leve tinha era de se integrar ao mundo globalizado`, diz Claus Hoppen, gaúcho com sotaque alemão, atual presidente da Mahle Metal Leve.

Como a Metal Leve era muito focada no Brasil e fora daqui só tinha fábrica nos Estados Unidos, ela encontrava obstáculos quase intransponíveis ao tentar acompanhar a tendência mundial de formação de fornecedores globais. O resultado foi que perdeu a participação de mercado. ´Fora isso, era uma empresa com estrutura inchada, não tão enxuta quanto a de hoje. Estava muito concentrada em São Paulo, onde os custos são mais altos que em outras cidades do Brasil`, diz Hoppen. O que mudou basicamente em relação à antiga foi o fato de que, ao ser assumida pela Mahle, a nova empresa consolidou todos os investimentos e transferiu grande parte da fábrica de pistões para Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, junto com a fundição. Hoje, esta é a maior fundição de pistões do grupo Mahle em todo o mundo, com capacidade para produzir 25 milhões de unidades por ano, o que lhe garante consideráveis ganhos de escala.

´Já estamos exportando 50% do nosso faturamento`, conta Hoppen. ´Vendemos 28 milhões de dólares para a Europa no ano passado. Para os Estados Unidos foram outros 60 milhões`. O valor total de exportações no ano passado foi de 142 milhões de dólares. O faturamento líquido alcançou 517 milhões de reais.

No primeiro semestre deste ano, a receita cresceu 24% em relação ao mesmo período de 2000. Passou de 247 milhões de reais em 2000 para 306 milhões, num movimento impulsionado pelo câmbio favorável e também pela crescente acolhida dos clientes do exterior aos produtos da empresa. ´Estamos cada vez mais usando o Brasil como base de exportações`, diz o presidente. Segundo ele, por serem do tipo semi-autorizado, as linhas de produção brasileiras revelam mais agilidade que as da matriz alemã. ´Na Alemanha, como elas são completamente automatizadas, exigem um tempo de preparo maior quando é necessário trocar um produto a ser fabricado`, esclarece. A operação para a substituição de uma linha de produção chega a demorar 18 horas na Alemanha. No Brasil, o tempo gasto cai para duas horas.

Com faturamento de 2,4 bilhões de dólares no ano passado, 26000 empregados e 70 fábricas em quatro continentes, a Mahle é a maior empresa do planeta na fabricação de componentes para a parte interna do motor de veículos, o que dá uma certa tranqüilidade a Hoppen sempre que ele olha o mundo por sua janela da fábrica de Mogi Guaçu. Ele está atento à evolução da situação econômica nos Estados Unidos, agravada pela queda do ritmo de atividades e, mais recentemente, por ataques terroristas. Em relação ao cenário doméstico, seu maior receio é com os efeitos da política de juros altos posta em prática pelo Banco Central para reduzir a vulnerabilidade das contas externas. Da combinação desses fatores depende o comportamento dos negócios da empresa nos próximos meses.

´O mercado de caminhões desabou 40% nos Estados Unidos nos últimos meses, por conta da diminuição no volume de fretes contratados. A coisa só não foi pior porque o segmento de automóveis continuou estável, pois as locadoras, que são as maiores consumidoras, renovaram suas frotas, como fazem todos os anos`, analisa Hoppen. ´Aqui no Brasil, para onde for a política de juros, as vendas caminham na direção contrária, até porque 77% do mercado de automóveis são de carros populares`. Em resumo, a Mahle pode não colher no segundo semestre frutos iguais aos da primeira metade do ano, mas isso surgirá, quando muito, como uma pequena inflexão em sua curva de vendas.

Matéria extraída do Anuário Valor 1000, Edição 2001, pág. 250.

INFORMATIVO SEGURO Cias Seguradoras Links AUTOMOTIVO Montadoras Auto Peças Anfavea
IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS TRANSPORTES Logísticas Links
AutoGuiaBR
Copyright © 2003 - AutoGuiaBr Internet Soluction- All rights reserved - Todos os direitos reservados
As marcas exibidas no Portal AutoGuiaBR pertencem aos seus respectivos proprietários.